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Vendas de pneus nacionais caem 6,8%, enquanto importados disparam 81,2%

Vendas de pneus nacionais caem 6,8%, enquanto importados disparam 81,2%

As vendas de pneus nacionais encerraram o primeiro semestre em retração, em um contexto de crescimento da concorrência dos importados. Dados da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP) indicam que as vendas de pneus de passeio, comerciais leves e de carga fabricados no país caíram 6,8% entre janeiro e junho de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

No total, as fabricantes nacionais comercializaram 17,8 milhões de pneus nos primeiros seis meses do ano, ante 19,1 milhões no mesmo intervalo de 2025. No mesmo período, as importações avançaram 81,2%.

Importações disparam no segmento de carga

O crescimento das importações foi especialmente acentuado no segmento de pneus de carga. Entre janeiro e junho, as compras externas dessa categoria aumentaram 157,9%. Os produtos importados já representam 73% do mercado de reposição de pneus de carga, enquanto a participação nacional caiu para 27%.

ANIP clama por medidas

A ANIP aguarda a análise de pleitos encaminhados ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) com o objetivo de reequilibrar o mercado. A associação menciona exemplos de medidas adotadas em outros países. O México elevou a tarifa de importação para 35%, enquanto a União Europeia estabeleceu tarifas de até 45,3% sobre pneus importados da China.

“O mundo está intensificando as barreiras tarifárias contra pneus da Ásia para proteger suas indústrias, enquanto o Brasil segue sem medidas equivalentes. Se ações urgentes não forem adotadas, haverá desindustrialização e aumento da dependência do mercado externo, com impacto inclusive no agronegócio, como no caso da borracha natural produzida no país”, conclui Navarro.

Pneus nacionais podem ganhar financiamento 

A Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP) acredita que uma linha de crédito para aquisição de pneus nacionais pode ser implementada ainda em 2026. A proposta, segundo o presidente-executivo da entidade, Rodrigo Navarro, avançou nas conversas com diferentes áreas do governo federal e está sendo analisada como uma alternativa para apoiar a indústria brasileira diante do avanço das importações, principalmente de produtos vindos da China.

Em entrevista à Agência Transporte Moderno, Navarro afirmou que a ideia é utilizar estruturas já existentes, como linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ajustando condições como prazo de carência e taxa de juros para facilitar o acesso dos transportadores aos pneus produzidos no país.

A proposta seguiria uma lógica semelhante à adotada pelo Move Brasil, programa criado para estimular a renovação da frota de caminhões e ônibus, com financiamento em condições diferenciadas. “Você pega um pneu cadastrado no BNDES, dá uma carência, uma taxa de juros subsidiada pelo governo por determinado período e permite que o transportador compre esse pneu, rode, receba pelo trabalho e comece a pagar depois”, afirmou.

Para o executivo, a medida teria impacto positivo tanto para os fabricantes quanto para os transportadores. O pneu, segundo ele, é o segundo maior custo de uma operação de transporte rodoviário, atrás apenas do diesel. “Não estamos reinventando a roda. Os critérios já existem no cartão BNDES. O que precisa é ajustar prazo e taxa para que o transportador consiga acessar”, disse.

Medidas podem sair nos próximos meses

Navarro afirmou que a ANIP tem expectativa de que as primeiras ações sejam adotadas ainda neste ano. Segundo ele, as conversas com o governo avançaram com diferentes ministérios, incluindo Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Fazenda, Meio Ambiente e Agricultura. “Eu estou trabalhando com isso. A minha expectativa é exatamente nos próximos dois meses, agosto e setembro”, afirmou.

Além da linha de financiamento, a ANIP defende a retomada do licenciamento não automático para importações de pneus. A medida permitiria uma análise mais detalhada dos produtos que entram no país, especialmente em relação a preços, peso e cumprimento de normas ambientais.

Fontes: Frota&Cia e Agência Transporte Moderno

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